31 dezembro 2010

30 dezembro 2010

...

Está tudo tão abstrato, ou eu preciso de um novo óculos? Quem se importa, afinal, após passar uma noite inteira regado a Dylan, Pink Floyd e Radiohead, é necessário dormir, comer, pensar?
Não, somente sentir! Acho que preciso de férias, ando muito cansado. Mas estou de férias, portanto eu preciso... de que? Essa sinceridade exagerada ainda me mata...
Vou beber alguma coisa, talvez distraia minha cabeça, talvez eu desmaie.
Sempre o bom e velho "talvez"!!
"Só acredito no semáforo
Só acredito no avião
Eu acredito no relógio
Acredito no coração"

...

o limite da morte é o diabo do medo;
o limite do medo esbarra na doce liberdade de existir;
enquanto passa, eu vejo o tempo,
enquanto é tempo, eu passo rápido;
atravessei a rua sem olhar para os lados;
Deus me disse "cuidado filho";
eese é meu limite;
limite de mim e fim;
ponto, merda. Acaba-se em sonho, em desejo,
algo inenarrável;
sim, sim;
só isso e mais nada
afinal, a morte me espera também.

29 dezembro 2010

Uma carta sincera

O tempo rompia-se em raios amarelos de sol. Era manhã e eu estava exausto, após tanto pensar em você, minha pequena. Desde cedo, muito cedo, na realidade, mais cedo do que gostaria de admitir, venho sendo tragado por essa sua poesia irreversível.

É lindo, minha pequena, simplesmente lindo. Só de pensar em querê-la e tê-la pelo menos uma vez, com sorte, duas, fico extasiado. Talvez um dia você entenda as palavras tontas que escrevo aqui, de maneira tão tonta. Seria desleal descrever o que sinto, porém, uma infidelidade tremenda se não externasse tais emoções. É tudo muito complicado, mais complicado que explicar seu primeiro porre para alguém, afinal, porre é porre, e o primeiro é sempre o mais divertido. Não que você me deixe bêbado, lógico que não, mas a minha atração por ti é maior do que meu orgulho machista gostaria de revelar, minha atração por ti é tão física quanto emocional, um emaranhado de abraços e ilusões... Será que isso existe? Às vezes me pergunto se é tudo invenção da minha cabeça. Se fosse, que fosse sem fim, que fosse nessa bossa nova que só eu entendo.

Porém, não posso perder o foco. Escrevo agora, no começo de um novo dia, com novas pessoas, novos carros no trânsito, novos prédios explodindo, novas crianças nascendo. Escrevo agora porque há milhões de novas miudezas acontecendo e só me importa pensar nos seus olhos, que são os mesmos, os seus cabelos, que continuam da mesma forma, teu sorriso, enfim... A mesma que eu conheço e pasmo ao ver, com tantos detalhes diferentes, interessantes. Provavelmente entrei em contradição, mas você é assim! E me deixa assim também: deliciado, louco, muito mais louco do que, de fato, sou. Talvez seja esse mistério que te envolve, talvez a falta de mistério que te mascara, talvez eu que não saiba definir. Não é paixão, entende? Tampouco ódio, mas mesmo indeciso, entendo que existe algo, um tênue sentimento, que ganha proporções a cada dia.

Quem sabe em outra manhã ele exploda e eu morra de felicidade. O que você acha?

Estou sendo sincero, o mais sincero possível! Sinto falta, ciúme, paz, será que você pode me explicar o que é isso? Mas não estrague, por favor, pois estou me divertindo. Ultimamente tenho escutado música, de todos os estilos, e as que eu mais gosto são aquelas tranqüilas com ritmo de praia, violão ao fundo, cheiro de mar, vento fresco e a voz suave no refrão fazendo coro à minha. É tão natural, como respirar, dormir, comer.

É natural como poesia, e eu nem gosto de poesia. Estou rindo nesse momento, sabia? Espero que saiba, espero que sinta. Desculpe se sou um transtorno, um erro patético, mas, se devo ser sincero, não gostaria de me desculpar. Sou eu mesmo, só eu na mais completa imperfeição de ser.

Escuta comigo um pouco da música. Consegue escutar? Agora o cantor sai do compasso e fala palavras bonitas, quase estúpidas! Continuo rindo.

Desculpa-me se eu não sou perfeito, não tenho as qualidades de um campeão.
Desculpa se eu não sei dizer “te amo”. Mas e daí? Há outras expressões até mais bonitas do que essa.

Ou não.

Tenho que ir, estou com calor e com fome e com os olhos doendo. Daqui a pouco vai chover, tenho certeza, esse sol não me engana. Vou para casa. Vou para qualquer lugar. Por enquanto estou sozinho, desacompanhado. Mas o sorriso ainda está aqui, bem colocado no meu rosto, rindo de tudo, sorrindo pra todos.

Pra você, pra mim...

Pra sei lá quem, sei lá onde, sei lá.

“Hey, hey, hey

Your lipstick stains
On the front lobe of my left side brains.”

24 novembro 2010

Distante

Feito sopro, partiu voando.
Despido de pudores, sumiu entre nuvens e querubins,
Colecionando olhares curiosos
Dos desatentos seres mortais
Que, esperançosos, pediam socorro.

E recebiam maldade.

Ele, sem nome ou descrição,
Pedia, entre estrelas e constelações,
Um sempre vivo gosto de viver.
Já que vida é uma questão metafísica,
Explicada pelos metafilósofos, que na metalingüística
Encontravam respostas.

Mas ele nunca gostou de metas.
Preferiu, desde criança, as aventuras do invisível.
Poetazinho de nada, sujo de lama,
Via brilho na desgraça mundana das palavras simples.

Dizia-se socialista.

“Aos ricos devemos tirar cifras,
Aos pobres, dar carinho”

E a mim, um pouco mais de amor,
Constantemente amor.
Uma entrega insaciável de paixões carnavalescas.
Com cores e deslumbres diferentes.
No abre-alas, as orgias da paz.
Na bateria, o anseio sorridente.
No grand finale, as sobras de alegria
Despejadas em jarras douradas.

Muito carnaval!
Pouca infidelidade!

Ele foi embora mesmo assim.
E não há quem mude tal fato.
Ele deixou de lado seu ideal.
Tornou-se indigente no caleidoscópico
Existencialismo fútil.

Sua presença foi dita desnecessária.
Portanto, desapareceu sem deixar vestígios.

O anárquico idealista esqueceu-se
De como deveria amar.
Deprimido, largou tinta e pena,
Papel, relógio, calendário e roupa velha.
Colocou seu coração num envelope
Com destinatário.

Mas a entrega não aconteceu.

Na infinidade da censura,
Deparou-se com a hipocrisia dos leigos.
Achou graça disso, brincou.
Mas, por dentro, chorava a insanidade
Dos loucos bêbados.

Bêbados trépidos e...
...Circenses.

A última criatura que o viu
Foi a Lua.
Contam que seu rosto estava vermelho,
Seus olhos inchados.
Lágrimas escorriam por entre as bordas
De solicitude que sobressaiam de seu sorriso
Infeliz.

Talvez paixão.
Talvez fim.

E ela lhe disse, do alto de sua prateada
Sabedoria milenar, com todas as palavras:

“Vá com Deus...”

25 setembro 2010

Do Tempo Dela


Contava romances cinematográficos.
Chorava sem querer, por motivo algum.
Brincava de amor, amar, fingir e ser. Mas só brincava.
Ria, ela ria coitada. Mas os outros não riam junto.

Seus átimos de alegria e tristeza, seus picos de aspereza e lonjura.

Seus instantes.
Íntimos demais.
Doces demais.

Se cantava, o fazia por distração.
Se chovia, corria para a rua. Gritava por gritar e viver.

Estava cansada.
Estava sozinha e desolada e ambígua.

Prendia os cabelos e soltava-os.
Enrolava-os nas mechas de paixão que pendiam de seu sorriso.
Sonhava de vontade, de prazer.

Era a beleza inconsolável.
A fineza justa e bem-medida.
Sua Majestade vivia de infinito.

Infinito sempre, sempre até morrer.
Talvez princesa.
Amante, amada.

Enclausurada nas nervuras da incompreensão.
Sim, enviuvada de namorados de ilusão.

Completa noiva sem altar.

Criança, menina, mulher.

Única.