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08 fevereiro 2010

Singela Dedicação

Quem me dera
A vida fosse ilusão,
Quem me dera
Os sonhos fossem pretensão,
Quem me dera
A existência fosse
Pura gratidão,
Quem me dera
Suas palavras não
Ferissem tanto o meu
Coração...

02 fevereiro 2010

Testemunho Final

Aquele amor, amiúde irá me visitar durante a noite,
Pungente em sua forma mais complexa de amar.

Aquela dor, tão freqüente e viciosa, irá render-se a própria derrota,
Dizendo alto, o quanto me quer bem.

Os meus inimigos amedrontados e feridos, irão chorar,
Em seu último pedido e misericórdia.

Os olhos de quem me vê e me esquece, e depois amanhece
Irão tão cedo me encontrar e reconhecer.

Aos erros que cometi, peço perdão e dou passagem.
Pois, não vou mais carregar esses demônios e incertezas.

De todos que me admiram, só uma pessoa realmente me interessa.
E a ela eu dedico boa parte de minha vida.

Os poetas que me desculpem, pois bem sei que poesia é arte,
Porém minhas palavras assumem agora cadência e rancor.

E aos desconhecidos que me negam e rejeitam, eu compreendo.
Afinal, sou dispensável para boa parte do mundo.

Todavia, outra boa parte me quer bem e reconheço:
A prosperidade de meus acertos precede em muito a minha tola carência.

E, de minha vivência erudita, tiro da ponta de minha língua a minha derradeira declaração:
O meu Muito Obrigado...

02 janeiro 2010

Válvula de Escape


Pungente.

Dormente.

Insaciável.

Uma dor que corrói e vai rasgando minha racionalidade. Uma dúvida suspensa em uma névoa de memórias impróprias para o momento.

Sinto-me... Confuso. Até que ponto alguém é capaz de inventar e sustentar uma mentira? Por que tal atitude? A verdade dói tanto assim? Ou seria a dor da ilusão que causa o prazer do ato?

É tão difícil notar que as coisas fluem, as pessoas morrem e o que acontece tem, necessariamente, que acontecer?

Ainda estou confuso. E, provavelmente continuarei assim. Simplesmente confuso por mentir demais e sentir o peso da realidade. Afinal, minha mentira foi feita em cima de um mundo de promessas: promessa de não sofrer, de não se magoar, de não matar ou mesmo morrer, de aproveitar. A promessa de pulsar um coração enquanto houvesse fôlego de vida. E essa teoria tão comunista durou um bom tempo. Sei que não foi fácil no começo, mas quando se pega o jeito e acordar todas as manhãs não se torna um árduo inconveniente... Tudo funciona. Como se a invenção fosse a verdade nua e crua.
Como se não pudesse existir outra resposta às minhas perguntas.

Outra solução para os meus problemas.

Porém há um martelo em minha cabeça, que não pára de bater na minha consciência. E ela me disse a pouco que não suportará a pressão por muito mais tempo. Logo, eu irei ceder aos fatos. Logo, aquela ferida tão dolorida irá ficar exposta e será cutucada por curiosos, irá aumentar e... Romper, explodir.

Existir. Logo, a ferida irá existir novamente.

Não sei se estou pronto para tanto. Nem sei ao certo se estou pronto para alguma coisa que não o esquecimento.

Por que todo o drama?

Porque dói.

E eu estou cansado desse espetáculo. É mais fácil admitir, eu sei. Haverá uma avalanche de conseqüências e incertezas, contudo, o pesar terá sumido. Talvez o medo também. Mas eu não posso abrir mão dessa fantasia, dessa idéia tão vívida e pura e... Aconchegante. Por tempos mentir à mim mesmo foi a única solução plausível. E agora, parece uma covardia me esconder atrás de panos e palavras fracassadas.

Parabéns, comecei o ano bem.

Mas, o que fica perturbando o meu bom senso é: até quando vou fingir e mascarar meus sentimentos, meus gestos e minha vida? Até quando vou atuar como bom samaritano? Até quando o medo de estragar as coisas e jogar tudo no ralo vai afugentar minha coragem?

Até quando vou fugir de mim, negando as explicações necessárias, lutando para não me encarar e ver meus olhos de reprovação?

E até quando eu vou aguentar não ver os seus olhos nos meus?

Isso somente o tempo e as mentiras vão poder me responder. Ou talvez as feridas. Mesmo assim...

Eu ainda não sei.

23 dezembro 2009

Resignação

Lute como se a vida dependesse de sua vitória. Grite como se o mundo pudesse sentir e ouvir sua voz. Procure, busque alguma coisa, mesmo que não esteja buscando nada. Encontrará algo, não importa o que for. Viva e respire, apreciando toda a cadência de estar aqui, agora. Reaja, por Deus, reaja, de qualquer maneira, em qualquer hora... Desde que reaja, pois eu não suporto não ver o brilho de seus olhos.

Mas...

Se for preciso, morra.

Se quiser, com ou sem motivo, desista.

Se lhe for conveniente, se entregue.

Se pensar ser mais fácil, jogue-se aos leões.

Eu agüento, ou pelo menos, tento.

Ninguém irá rotular suas atitudes, nem mesmo julgar seu discernimento. Há vezes em que o ser humano, de fato, é fraco. E depois de tanta fraqueza e desventura, restarão apenas lágrimas e lamentos, memórias de um passado cretino, malandro. Restará alguém chorando por você, sentindo sua falta, lutando contra a saudade e enlouquecendo pela perda. Afinal, esse é o clichê sepulcral que acompanha aqueles que ficaram e zelam por um novo e inadiável fim.

O fim dos tempos.

O fim da vida.

O fim da morte.

O fim da mesmice.

O fim da sorte.

O fim das tréguas.

O fim das guerras.

O fim do pranto.

O fim das madrastas megeras.

E o fim dos fins e dos começos...

...Das alegrias e dos tropeços...

E, quando então, você olhar para trás, irá ver meus olhos junto aos seus, esperando um último adeus, o abraço que ficou entre nossos braços e será lembrado por nossas mãos.
Quando você olhar para trás, estarei esperando a despedida tardia, aquele aceno entristecido que tentou substituir nossas derradeiras palavras. Não notará sorriso nem gargalhada. Somente meu pesar, o fardo que tenho que carregar, o preço por amar demais por tempo demais, uma única pessoa.

Mas eu suporto. Cairei e encontrarei forças para levantar. Irei sangrar, até que a ferida cicatrize ou a loucura me vença.

Eu sei que sofrerei.

É inevitável, isso eu também sei.

E, quando não houver energia que reste e luz que se acenda, ficarei cego, na mais profunda e concreta escuridão. Meus olhos provavelmente estarão abertos, mas minha alma há muito estará trancada a sete chaves... Mumificada pela ausência, deteriorada pelo desuso. Uma irônica piada sem graça.

A minha piada. A melhor entre todas.

E, do alto, uma dama com um longo vestido de alabastro estará me esperando. Sorrindo e cantando e dançando, como nós fazíamos... Neste instante, tenha certeza, me sentirei leve.

E você, de onde quer que esteja, estará radiante, com ou sem tristeza. Porque haverá em seus olhos o brilho, o famoso brilho da juventude, da simplicidade, da paixão atenuante. Haverá em você aquilo que sempre houve, mas por pouco quase desapareceu: Você, em sua mais perfeita complexidade e exatidão.

Não importa qual será o meu destino. O que importa é que a vi feliz.

Não se preocupe comigo. Eu estarei sempre ao seu lado.

Não queira notícias minhas, se isso não lhe fizer falta: meu principal objetivo sempre foi vê-la alegre.

O que será de mim? Ora, por favor... Eu não serei nada. Pois morri quando você partiu para qualquer lugar.

... Qualquer lugar em que seu beijo me é negado...

... Qualquer lugar distante de mim.

25 novembro 2009

Certo?


Certas coisas não devem ser ditas. Apenas silenciadas. Escutadas entre o farfalhar de idéias e o sussurrar de olhares inapropriados.
Certas coisas o mundo secreta na margem do oceano, na beira do precipício, no limite de sua existência.
Certas coisas não podem ser lembradas, pois o vazio toma conta de nossa memória, tornando a nostalgia uma piada sem sentido ou valor.
Ah, certas coisas não deveriam existir, afinal, quando existem tornam a vida um caos, em que espelhos são estilhaçados, janelas destruídas, paredes desmoronadas e eu... Acabo-me em cansaço.
Contudo, sejamos francos, se essas certas coisas não existissem, não nos cansassem nem entristecessem, talvez não fôssemos os seres complexos e fascinantes que somos, talvez fossemos destituídos de tudo: de ódio, de amor, de carinho, afeto, olhar, percepção, alegria...
Portanto, que essas certas coisas continuem há afligir meus dias e que essas dúvidas açoitem dia após dia minha cabeça, assim serei completo, complicado, lerdo e lesado, inteligente e paciente e irritado... Porque certas coisas não mudam e outras certas nunca poderão ser esquecidas, nem quietadas.

19 novembro 2009

V.I.D.A.



...Não se assuste se essa lágrima escorrer de seus olhos e atravessar sua face... Não se apavore se os anéis escaparam-lhe aos dedos... Não se aborreça se o seu sorriso for, por algumas vezes, forçado e entristecido, nunca deixe de falar nunca, nem mesmo em um segundo, ou milésimo, cada instante que se passa, leva junto de si mais um fio de felicidade que você não usou e abusou; apenas largou em um canto... Portanto viva. Esqueça os problemas e que se danem os estilos. Cada qual ao seu modo. Com suas peculiaridades e desgostos, contrafeito ou talvez contraposto, afinal não me interessa discutir modelos, maneiras.

Viva.

Viva cada manhã como se fosse a única em que você devesse acordar bem cedo. Viva cada tarde como se não houvesse a mesma, nem mais quente nem mais fria. Viva as noites e com elas, toda a sorte das infinitas festas, das músicas não se esqueça tão cedo, das biritas, dos romances, das palavras, do arzinho gelado que um simples sopro de juventude te traz, sem querer... Viva a vida de uma maneira que seja só sua e de mais ninguém. Viva, pois esse é o papel dos inteligentes: viver sem limites algo que existe ou não...

Desde que você viva e sinta o gosto dessa aventura, desfrute dessa experiência lancinante e avassaladora. Não se importe com as diferenças, pois a beleza da sociedade consiste em estar em constante metamorfose...

“Prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...”

16 outubro 2009

Trecho


Poesia é alma
E alma é vida.
Portanto,
Vida longa aos poetas.
E mais longa ainda àqueles
Que não descobriram a arte
De poetizá-la.

09 outubro 2009

Brinde

...e, depois de todas essas palavras, sentimentos expressos, nada me resta, além dos seus merecidos parabéns...

Todos os desejos que nunca nos escapam ao clichê essencial da boa existência...

Saúde, pois você merece continuar ensinando com destreza e competência (como sempre ensinou); sucesso, pois viver num mesmo estágio, durante uma vida inteira é insuportável; felicidade, pois seus frutos serão sempre coloridos e cheios de orgulho e é claro, a magia do seu modo de ver as coisas, afinal, isso nenhuma criatura poderá arrancar de você...

Que seus anos de vida sejam sempre mais felizes a cada dia que se passa...

...Parabéns a você, doce e bela Liberdade!

04 outubro 2009

Boa sorte companheiro


Quando as nuvens parecem pesar sob o céu, os sorrisos desaparecem inesperadamente do rosto das crianças, o olhar dos apaixonados não mais brilha e reluz ofuscando o sol e os sentimentos, só então você saberá que sua esperança se esvaiu, estilhaçou em mil fragmentos desleixados e agora é pó, memória, lembrança de um dia ensolarado ou mesmo nublado em que você podia amar sem ser amado e mesmo assim se sentir feliz...

Deixe-me dar um conselho, uma breve explicação do que deve ser feito, uma teoria a seu respeito... Afinal, eu já passei por isso, já me senti assim... Preste atenção a sua volta, seja perspicaz, voraz, perceptivo. Há luz no fim do túnel, sempre existe uma vela para ser acesa em meio ao caos e a escuridão, não se preocupe, apenas se ocupe em viver e passar essa crise, inspire e expire, vai ser obrigado a reaprender a respirar, mas aos poucos você retoma o fôlego...Um passo de cada vez, com cautela, com determinação, e então, sem perceber já estará correndo...

Se seu canteiro foi esmagado, replante, faça um jardim cheio de rosas, margaridas e violetas... Não tenha pressa, pois você tem todo o tempo do mundo, enquanto o mundo continuar a existir pra você... Não espere que alguém lhe dê um livro pronto, escreva as palavras você mesmo, em qualquer lugar, sob qualquer circunstancia, faça isso para se distrair, para se fortalecer, para ser você mesmo, mesmo em tempos de cólera...

Ame todas as coisas que te rodeiam, mesmo aquelas que te odeiam. Afinal, o amor é algo sublime, essencial e infinitesimalmente precioso, chega a ser cor-de-rosa, doce e deliciosamente agradável... Atravesse esse deserto, encontre o templo dentro de você, não desista, porque ainda não desistiram de ti.

Essas tempestades vêm e vão, coisas do verão... Apenas lembre-se, não desista nunca. Eu sei que existem varias pedras em seu caminho, mas é sempre assim, deverá aprender a lidar com isso, com essas frivolidades, eventuais transtornos de uma burocracia falha, menos democrática e mais parcial, uma balança com uma medida, mas dois lados a agradar... Não se apavore, não tenha medo de temer o que não é visível, lidamos com esses fantasmas juvenis todo os dias, até mesmo ao amanhecer...

Depois disso tudo, tenho apenas que desejar boa sorte companheiro, eu sei que vai sair dessa, confie no seu taco, tenha um às na sua manga... E não desista, olhe bem para o céu e veja, com os olhos de sabedoria e inocência, que o vento soprou pra longe as nuvens e o sol, com toda a sua onisciência, volta a brilhar... Por tudo isso, eu, com toda a sinceridade reservada em meu peito, digo a você, não importa o caminho que resolva trilhar e quem estará ao seu lado, apenas tenha boa sorte companheiro...